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31 . 05 . 2018

Eficácia do Protocolo Paleo Auto-Imune na Doença Inflamatória Intestinal

A doença inflamatória intestinal (DII), que inclui a doença de Crohn (DC) e a colite ulcerosa (CU), é uma categoria de complexas doenças gastrointestinais, auto-imunes, com frequentes manifestações sistémicas. São doenças multifactoriais, em que há uma susceptibilidade genética, principalmente na regulação da interacção do sistema imunitário com a flora intestinal, bem como factores ambientais e alimentares. Estas doenças provocam, frequentemente, graves limitações da qualidade de vida.

Um grupo da Divisão de Gastroenterologia da Scripps Clinic em La Jolla, California, publicou um interessante estudo prospectivo, no final de 2017, em que se analisou a resposta de um grupo de doentes a uma dieta específica.

A dieta estudada é intitulada de “Protocolo Paleo Auto-Imune” e assenta na eliminação de alimentos que podem levar à estimulação do sistema imunitário. São eles: cereais, leguminosas, óleos alimentares processados, lacticínios, ovos, família das Solanáceas (batata, tomate, beringela, pimentos, pimenta), café, álcool, nozes e sementes, açúcares refinados e quaisquer aditivos alimentares artificiais. Em substituição, é aconselhado o consumo de alimentos com elevado teor nutritivo, como vegetais, frutas, alguns tubérculos, carne e peixe.

Neste estudo, foram incluídos 15 doentes com DII (9 com DC e 6 com CU) que foram seguidos durante 11 semanas. Todos os doentes tinham doença activa, moderada a severa, definida pelos scores de Harvey-Bradshaw e Mayo, endoscopia e/ou calprotectina fecal aumentada (enzima dos neutrófilos, cuja presença nas fezes está associada a inflamação intestinal).  O objectivo do estudo era avaliar o sucesso da intervenção alimentar na indução de remissão. Não foi feito qualquer ajuste da terapêutica, exceptuando o desmame de corticosteróides em alguns doentes.

A dieta foi implementada usando um programa online (www.sadtoaip.com), com uma “health coach” e uma nutricionista, sendo que os doentes comunicavam diariamente através de uma rede social. Às 6 semanas de eliminação inicial, seguiu-se um período de 5 semanas de manutenção, em que nenhum grupo de alimentos foi reintroduzido.

Passadas as 6 semanas iniciais, 11 dos 15 doentes atingiram remissão (definida como score de HBI <5 para DC ou score Mayo <3 para CU) e mantiveram-na às 11 semanas. A redução nestes scores foi estatisticamente significativa, bem como a melhoria nos questionários de severidade de sintomas (SIBDQ). Também houve melhoria dos parâmetros laboratoriais (PCR e calprotectina fecal) mas esta não foi estatisticamente significativa. Apenas 6 doentes tiveram reavaliação endoscópica às 11 semanas e todos eles apresentaram sinais de melhoria da inflamação da mucosa intestinal.

De realçar que 2 dos doentes com doença de Crohn tinham estenoses intestinais e desenvolveram oclusão parcial do intestino delgado, provavelmente devido à elevada ingestão de vegetais, tendo de ser internados para resolução do quadro.

Apesar da pequena amostra, este estudo abre as portas para novos ensaios clínicos sobre a influência da dieta na DII. Através de uma dieta de eliminação, seguida por uma reintrodução faseada de alimentos, de forma a identificar os que provocam sintomas, pode ser possível controlar a inflamação intestinal ou, pelo menos, prevenir o seu agravamento.

Referências:

Gauree G. Konijeti, MD, MPH, NaMee Kim, MD

“Efficacy of the Autoimmune Protocol Diet for Inflammatory Bowel Disease”

IBD Journal, November 2017

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29466592

Categorias: Autoimunidade, Nutrição

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Tenho interesse em saber mais sobre a síndrome do intestino irritável

O sindrome do intestino irritável é mais vago e, de forma simplificada, traduz alterações da motilidade intestinal e/ou hipersensibilidade da mucosa intestinal à distensão do intestino provocada pela fermentação dos conteúdos por bacterias. Um bom ponto de começo no tratamento do sindrome do intestino irritável é a dieta baixa em FODMAPs.

Esta dieta também é indicada para a Púrpura tombocitopenica idíopata?

Olá. Não há estudos clínicos que tenham analisado a eficácia deste protocolo na PTI. Contudo, isso não significa que não possa funcionar em determinadas situações. Penso que é perfeitamente razoável experimentar um protocolo destes por um período de 2-3 meses e ver o que acontece às suas contagens.

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