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20 . 06 . 2018

Sensibilidade Não-Celíaca ao Glúten

O termo “Sensibilidade Não-Celíaca ao Glúten” (SNCG) foi inicialmente introduzido em 1978, mas tem ganho mais notoriedade recentemente. Basicamente, esta patologia consiste no aparecimento de sintomas decorrentes da exposição ao glúten (proteína presente no trigo, centeio e cevada). Estes sintomas manifestam-se em menos de 24 horas e são predominantemente gastrointestinais (distensão ou dor abdominal, alterações do trânsito), mas também podem ser extra-intestinais (mal-estar, fadiga, cefaleias, etc.). Os pacientes afectados não cumprem os requisitos para o diagnóstico de doença celíaca, em que há destruição da mucosa intestinal decorrente da resposta imunológica ao glúten.

Não existem critérios de diagnóstico concretos para o diagnóstico da SNCG e, como tal, a prevalência varia conforme os estudos, indo de 0.6% a 10.6%. O diagnóstico é feito, muitas vezes, apenas com base na melhoria de sintomatologia depois da eliminação de glúten da dieta.

Estudos recentes demonstram que o problema pode não residir unicamente no glúten, sendo que outros constituintes do trigo também têm um papel activo nesta intolerância. Há, inclusivamente, quem defenda que o termo “Sensibilidade Não Celíaca ao Trigo” é mais adequado.

Os mecanismos, potencialmente, envolvidos na patogénese desta intolerância, podem agrupar-se nas seguintes categorias:

  •  Alergia ao trigo não mediada por IgE – casos em que a ingestão de trigo estimula células do sistema imunitário na mucosa intestinal (linfócitos, eosinófilos, basófilos). A presença de anticorpos anti-gliadina e a visualização de eosinófilos nas biópsias da mucosa intestinal, suportam este diagnóstico.
  •  Inibidores da amilase-tripsina – família de inibidores enzimáticos que funcionam como proteínas de defesa do trigo e outros cereais. Estes compostos podem activar as células do sistema imunitário no intestino.
  •  Aglutinina de germe de trigo – categoria de lectinas, que são substâncias com o potencial de se ligar à superfície das células através de glicoproteínas. Esta interacção induz a libertação de citocinas pró-inflamatórias, podendo danificar a integridade da mucosa intestinal.
  •  FODMAPs (acrónimo, em inglês, para “Oligossacarídeos, Dissacarídeos, Monossacarídeos, e Polióis Fermentáveis”). Este grupo de hidratos de carbono é resistente à digestão no intestino delgado e pode ser fermentado no cólon pelas bactérias da flora intestinal. O trigo contêm fructanos, que são FODMAPs e, como tal, pode levar a sintomas gastrointestinais.

Concluímos, então, que o trigo e outros cereais podem afectar a nossa saúde de diversas formas. Para pessoas que suspeitem ser intolerantes, o método mais eficaz para aferir a presença desta sensibilidade, é a eliminação total do trigo (incluir centeio e cevada também, por conterem glúten) durante um período de 4-8 semanas e depois proceder à sua reintrodução na dieta, vigiando a evolução dos sintomas. Caso haja persistência de sintomas gastrointestinais, a dieta sem FODMAPs pode ser utilizada, já que apresenta uma taxa de sucesso na ordem dos 70% nos casos de síndrome do cólon irritável.

Referências:

Catassi, C et al.

“The Overlapping Area of Non-Celiac Gluten Sensitivity (NCGS) and Wheat-Sensitive Irritable Bowel Syndrome (IBS): An Update”

Nutrients 9, 1268 (2017)

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5707740

Categorias: Alergias, Digestão, Nutrição

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