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12 . 10 . 2018

Os Benefícios da Restrição Calórica
e do Jejum Intermitente

Nos tempos modernos, caracterizados pela abundância de alimentos, a obesidade e as doenças metabólicas são cada vez mais prevalentes. Estudos em animais demonstraram que a restrição calórica está associada a um aumento da longevidade, mas intervenções deste tipo, a longo prazo e com ambientes controlados, são difíceis de reproduzir em humanos.

A adopção voluntária de uma dieta continuamente restrita em calorias torna-se difícil e acarreta o risco de malnutrição. Contudo, períodos intermitentes de jejum e, consequentemente, diminuído aporte calórico podem oferecer os mesmos benefícios fisiológicos.

O jejum é uma prática milenar associada a diversas tradições religiosas. Por jejum intermitente, entende-se qualquer prática que intercale períodos de jejum com outros de aporte calórico normal. Existem várias formas de jejum intermitente, desde jejum em dias alternados, até à forma mais popular de ingestão calórica num período limitado de tempo (por exemplo 6-8 das 24 horas). Todas estas formas conduzem a um menor aporte calórico e os seus benefícios advêm desse facto.

Com base em estudos comparativos realizados em humanos, a restrição calórica contínua e o jejum intermitente têm efeitos semelhantes nos marcadores de saúde metabólica. Quando combinado com a prática de exercício, o jejum intermitente tem efeitos ainda mais pronunciados.

Quais são, então, os benefícios do jejum intermitente?

  • Diminuição do peso e percentagem de gordura corporal
  • Diminuição da pressão arterial
  • Melhoria do perfil lipídico – diminuição do colesterol total e das LDL, aumento do colesterol das HDL
  • Aumento da sensibilidade à insulina e diminuição do risco de desenvolver diabetes mellitus tipo 2

Do ponto de vista celular, os períodos de jejum funcionam como um agente de stress. Em resposta a esse stress (tal como acontece com o exercício, por exemplo), a célula aumenta a produção de certas substâncias (HSP’s, sirtuínas, etc.) que aumentam a sua resiliência. O jejum promove também a autofagia, que é um processo de “reciclagem” através do qual os detritos e organelos danificados são eliminados, de forma a não interferirem no funcionamento celular.

A prática de jejum intermitente é segura para toda a gente?

Não. Apesar de ser uma importante ferramenta para optimizar a saúde metabólica, o seu uso é contra-indicado em algumas situações.  Alguns exemplos são: mulheres grávidas ou em processo de amamentação (nestas alturas o organismo desenvolve uma resistência à insulina fisiológica, que não deve ser contrariada), pessoas com problemas de hipoglicémia ou síndromes de fadiga crónica, em que este stress adicional pode não ser bem “aceite” pelo organismo.

Por seu lado, em pacientes com excesso de peso, resistência à insulina e, porventura, diabetes mellitus tipo 2 (os componentes do síndrome metabólico), esta abordagem deve ser considerada. Importa ressalvar, no entanto, a importância de manter a longo prazo uma dieta saudável, desprovida de alimentos processados e com alto teor nutritivo.

 

Referências:

Ganesan K, Habboush Y, Sultan S. Intermittent Fasting: The Choice for a Healthier Lifestyle. Cureus. 2018;10(7).

Patterson RE, Sears DD. Metabolic Effects of Intermittent Fasting. 2017. Annual Review of Nutrition. 2017; 37:371-393

Golbidi S, Daiber A, Korac B, Li H, Essop MF, Laher I. Health Benefits of Fasting and Caloric Restriction. Current Diabetes Reports. 2017;17(12):123.

Categorias: Metabolismo, Obesidade

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