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21 . 12 . 2018

Caso Clínico - Autoimunidade

Apresenta-se o caso clínico de uma mulher de 33 anos com queixas do foro gastrointestinal, osteoarticular e dermatológico, que registou uma melhoria dos sintomas na ordem dos 90% após o protocolo instituído.

M.G. procurou uma consulta de Medicina Funcional para obter soluções para os sintomas que vinha experimentando desde há, pelo menos, dois anos. As suas principais queixas eram as seguintes:

  • dores articulares difusas e migratórias (afectavam locais diferentes);
  • obstipação (chegava a estar uma semana sem defecar);
  • sensação de temperatura corporal elevada;
  • sensação de desidratação geral;
  • rosácea (forma de acne).

Em 2016, M.G. havia sido diagnosticada com tiroidite de Hashimoto, uma doença autoimune que afecta a tiróide e leva a uma destruição gradual e progressiva desta glândula, podendo resultar em hipotiroidismo. Na altura, os anticorpos anti-tiroglobulina eram de 834 UI/mL e os anticorpos anti-TPO negativos. Foi medicada com levotiroxina, apesar de não ter alterações da função tiroideia, e sentiu alguma melhoria dos sintomas.

Também em 2016, foi feito um rastreio de patologia autoimune mais exaustivo e verificou-se a presença de antocorpos antinucleares (ANA), num título de 1:160 (restante painel autoimune negativo). Contudo, M.G. não apresentava critérios de diagnóstico para nenhuma doença autoimune e optou-se por vigilância apenas.

Por sentir que a sua saúde se estava a deteriorar lentamente, M.G. procurou uma abordagem diferente de forma a evitar uma futura doença, até porque existe história de Lúpus na sua família.

Neste caso, havia indícios claros de um desequilíbrio da flora gastrointestinal e a presença de autoimunidade. Na primeira consulta, foi recomendada uma dieta de eliminação (evicção de cereais, lacticínios, ovos, nozes e álcool) a seguir durante um mês, com o intuito de identificar eventuais intolerâncias alimentares. Foi também prescrito um teste para o SIBO (sobrecrescimento de bactérias no intestino delgado) e outro para avaliar a flora intestinal a nível do cólon. Quando existe autoimunidade, é importante despistar fontes de inflamação no tracto gastrointestinal.

Fig. 1 – Resultado do teste respiratório com lactulose, sugerindo a presença de SIBO.

 

Fig. 2 – Teste de avaliação da flora intestinal com evidência de disbiose.

 

Com a ajuda da sua nutricionista, M.G. implementou a dieta da eliminação e foi capaz de identificar os alimentos que estavam a contribuir para os seus sintomas. Só com esta simples intervenção, M.G. reportou uma melhoria dos sintomas na ordem dos 70%. Nesta fase, iniciou-se o tratamento para o SIBO (predominância de metano) e disbiose intestinal com produtos botânicos com actividade bactericida.

O follow up foi feito 6 meses após a consulta inicial e M.G. reportou melhoria dos seus sintomas na ordem dos 90%. As dores articulares, cansaço, problemas de pele e obstipação desapareceram quase totalmente. M.G. apenas tem sintomas quando ingere certos alimentos (particularmente o glúten é problemático para esta paciente) e, nessas alturas, sabe o que deve fazer para retornar ao seu estado de equilíbrio. Do ponto de vista laboratorial, é de assinalar que o resultado dos anticorpos anti-tiroglobulina foi negativo na ultima avaliação. Este é um indicador de que o processo autoimune está controlado neste momento.

 

Fig. 3 – Evolução dos anticorpos anti-tiroglobulina (pré e pós tratamento).

 

Este caso é um bom exemplo do que a Medicina Funcional pode oferecer em fases mais precoces da doença, quando ainda não existe um diagnóstico concreto e tratável, mas os pacientes sentem que algo não está bem. Factores como intolerâncias alimentares e desequilíbrios da flora intestinal podem ter um impacto significativo na saúde e desencadear problemas como a autoimunidade. É benéfico investigar e corrigir a presença destes, e outros possíveis desequilíbrios, de forma a travar ou desacelerar a progressão da autoimunidade.

04 Comments

Útil e esclarecedor. Surpreendente, porque em Portugal existe a tendência para não divulgar o conhecimento, nas ciências e nas artes. É frequentemente necessário consultar sites estrangeiros para recolher informação. Muito obrigado e…parabens por ser diferente.

Obrigado pelo seu comentário, Victor.

Gostaria de saber o valodas consultas. Seria para a minha mãe. Grata!

Grato pelo seu interesse. As consultas têm o preço de:
– 120 euros – primeiras duas consultas (1 hora de duração)
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